para lembrar

No final daquela noite que começou com conversas simples e frias em meio as ruas arborizadas da zona sul, eu gostaria de ter escrito algumas palavras. Fiz um rascunho, pensei em algumas frases e acabei não concluindo nada em forma de texto. Achei que eu poderia estar, de novo, prolongando assuntos e queria que fosse natural, como combinamos. Prometi não pensar muito e escrever acaba sendo a edição textual dos nossos pensamentos. Colocar ideias em um papel ou em um bloco de notas de algum aparelho eletrônico nasce bem antes. É dentro da gente, você sabe. E, às vezes, pensar demais esgota, isola e distorce.

Li em algum blog que escrever é esvaziar um pouco do que a gente sente. E, daquela vez, eu não queria deixar ir. Havia perdão e clareza, paz e certeza que estava tudo certo. Pra quê mexer no que ‘está resolvido’? O desejo era que o recomeço encontrasse o rumo dele sem que ninguém forçasse a barra, como entendi. A esperança era que o perdão entrasse e abrisse lugar pra que pudesse ser como era antes: leve. Lembra que era?

Daí eu lembrei que o medo de ser invasiva e de fazer tudo errado, de insistir no que não deve ser insistido, a insegurança e todos as teorias sobre não escrever, foram esquecidas naquelas quartas-feiras de Janeiro, em que eu decidi que estava ali, mesmo sem saber, insistindo pra aprender a insistir. Persistindo no que acredito que vale a pena nesta vida tão breve. Já certa de todos os motivos que pensei pra não concluir algum tipo de texto, lembrei nostálgica que sempre nos demos tão bem com as palavras escritas que queria recomeçar com elas. Pra ver se tudo voltasse a ser.

Já se passaram semanas daquela noite e a vontade de pegar o recomeço, sentar ele em um café e fazer algumas perguntas, não passou. A solução, pra deixar lembrar, foi esquecer o embaraço das teorias e escrever. Pra mostrar também que não sei insistir, mas vou tentar. Sem forçar. Sem esquecer do natural.

Eu me sinto aflita com recomeços. Eles levam e trazem, constroem e reconstroem. Deixam tudo instável e sem muito sentido. Até ser concluído e conseguirmos entender os porquês. E já tem mais de um ano que estou tentando, principalmente, com a vida. Então, talvez, a próxima vez que eu iniciar um assunto bobo, fazer uma ligação num sábado qualquer ou concluir um texto pensado há semanas é tentando, do meu jeito, te lembrar que vou estar lá se um dia seu coração se partir inteirinho por qualquer motivo ou se ele parecer que vai explodir de tanta felicidade. Com um pote de sorvete, um abraço, uma frase aleatória ou com o silêncio dizendo: estou aqui. São apenas tentativas de dizer que você pode contar comigo e que você faz falta. Aliás, muita falta.

Uma vez você me disse que, quem não acredita no perdão, não consegue ir muito longe. Eu quero ir longe. Quero que você vá. E mesmo que nada volte a ser, o perdão ganhou naquela noite. Essa vitória eu marquei no calendário pra também lembrar que ele faz tudo limpo e novo de novo.

“A amizade é tão desnecessária quanto a filosofia, a arte, o próprio universo (pois Deus não precisava criar.). Ela não tem valor de sobrevivência; pelo contrário, é uma daquelas coisas que dá valor à sobrevivência.” Lewis

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