The favourite city: Edinburgh

West Scotland Street Lane
West Scotland Street Lane

Há um ano eu desembarcava na cidade que se tornou a minha favorita, até o momento, do mundo: Edimburgo (Edinburgh, com o sotaque mais difícil e charmoso do universo). Viajei sozinha com a cara, a coragem e pouco dinheiro para conhecer, por três dias, a cidade que roubou meu coração! Foi amor à primeira vista – se a técnica não funciona com pessoas, com cidades, eu tenho certeza

‘Dôblin’s Airport

Dublin's airport
Dublin’s airport

Na noite anterior ao voo, chovia bastante em Dublin. Saí de casa, debaixo daquela chuva de verão pesada que a cidade quase nunca tem, no último ônibus em direção ao aeroporto e passei a noite lá. Uma forma que aprendi para economizar dinheiro de táxi de madrugada e também para não precisar cortar o meu precioso sono (teoria: não dormir bem é melhor que acordar de um sono bom às 3h da manhã). Já fui para rodoviária bem mais cedo que o horário do meu ônibus pra não precisar pegar táxi ou ônibus muito tarde. Coisa de estudante que economiza dinheiro. 

No aeroporto, conheci um brasileiro, que por acaso, era meu vizinho de mesmo prédio e corredor na Francis Street. Ele estava indo curtir o verão na Grécia (um destino sonhado, mas ainda não alcançado). Conversamos até umas tantas da noite e depois cada um arrumou um cantinho no chão e dormiu por umas duas horas. Os bancos do Mcdonald’s já estavam ocupados, como os outros bancos avulsos do aeroporto.

Departure > Edinburgh

Sky sky
Sky sky

Embarquei no dia 13 de Julho de 2014, às 06h35. Estava tão cansada que caí no sono em um voo de 50 minutos. Fico admirada até hoje em lembrar que a distância entre um país e outro é menor que uma hora de voo naquele continente. Cheguei em um dia beeem ensolarado na cidade. Coisa rara naqueles lados. Mas era verão e eu esperava, no mínimo, o sol brilhando.

Após descer do ônibus, que me levou do aeroporto ao centro da cidade, na Waverley Bridge, contemplei uma das visões que guardo ate hoje: o Scott MonumentO céu azul e aquela arquitetura, me fez pensar que estava em algum filme do Harry Potter. Apesar de nunca ter conseguido assistir Harry Potter inteiro, mas foi o primeiro filme que pensei. Talvez seja porque lembrei que a autora, J.K.Rowlling, escreveu, se não me engano, o primeiro livro em alguns cafés de Edimburgo, como o ‘The Elephant House’, que cheguei a visitar. Não sei. Só sei que era muita beleza , ali, diante dos meus olhos. A cada caminhar pelas ruas de Edimburgo me dava a sensação de estar em um sonho daqueles que não dão vontade de acordar jamais. Contemplar a arquitetura tão perfeita e a bandeira do Reino Unido hasteada em alguns prédios foi uma visão memorável.

Princes Street Gardens <3
Princes Street Gardens ❤

Days in Edinburgh – Hostel

Final da Copa 2014 - Alemanha x Argentina
Final da Copa 2014 –
Alemanha x Argentina

Eu planejei ficar três dias na cidade e duas noites. Fiquei em um Hostel indicado por uma querida amiga, que tinha se hospedado na cidade meses atrás. Era um Hostel só de mulheres e a responsável pelo lugar fazia quitandas (!) para as hospedes. Tenho que informar que era final da Copa de 2014, logo após o 7×1 da Alemanha. Quando me apresentei na sala onde estavam algumas moças, todas já se compadeceram por eu ser brasileira e sorriram. 

O Hostel era uma gracinha! Aprendi como é o sotaque do Texas (EUA) lá. Conheci uma menina que também viajava sozinha. Quando se viaja sozinho, conhecemos tanta gente que faz o mesmo, que isso dá uma coragem de uma certa forma. Apesar que viajaria sozinha mesmo se não tivesse ouvido um relato. Viajar sozinha desafia e eu preciso ser desafiada com uma certa frequência. Conheci uma italiana também, que falava inglês perfeitamente, sem nenhum sotaque italiano. Fizemos alguns programas juntas. Ela estava praticamente morando no hostel. Iria ficar por lá um mês fazendo estágio da faculdade e depois iria morar na Alemanha por seis meses. Coisas de europeus e a admirável vontade e facilidade em aprimorar outras idiomas (!).

Dublin Street - what?!
Dublin Street – what?!

Eu me prometi que conversaria mais com as pessoas nessa viagem e no mochilão que faria no próximo mês. Queria conhecer histórias, compartilhar as minhas também, além de praticar o inglês. As pessoas são tão ricas com suas trajetórias e, certamente, têm alguma coisa em comum com a gente. Deixar conhecer e deixar ser conhecido foram aprendizados das viagens que levo até hoje. Um exercício diário pra um ser antissocial como eu. Caminhando …

Como disse no início, viajei com coragem e pouquíssima grana, então, todos os meus programas foram gratuitos. Aprendi do lado de lá do mundo que não tenho obrigação de ir nos pontos turísticos mais famosos (mesmo se tivesse grana transbordando). 

Ruela
Ruela

Posso escolher simplesmente me perder durante três ou quatro horas pra encontrar alguma ruela mágica e escondida em meio ao agito dos lugares badalados da cidade. Andei muito pela capital escocesa naqueles dias e, observar as formas que o sol reflete, no fim da tarde, em cada detalhe dos magníficos prédios escoceses, foi a atração principal, eu garanto.

Museums and Botanic Garden

Eu poderia escrever um texto dando dicas turística. Indicando, por exemplo, a ‘caminhada turística grátis’ saindo do Starbucks na Mile Avenue, que realmente valeu muito a pena. Contudo, dicas e informações podem ser encontradas facilmente e detalhadamente no Google. Eu decidi escrever, após um ano de rascunho guardado, sobre como eu me senti em cada esquina, a sensação boa dos lugares que visitei. 

Cheguei ao hostel bem cansada por ter dormido no aeroporto e, convenhamos, cochilar no avião não ajuda em nada (okay, eu amo dormir). Na verdade, queria recuperar as forças e desbravar a cidade 100%. Eu me conheço bem e sei que iria sair andando sem rumo e sem controle de tempo. Então, tirei uma soneca de uma hora (das vantagens de viajar sozinho e fazer seu próprio roteiro e tempo!).

2014-07-13 09.05.54
Hostel incentivando o sono, ops, os sonhos …

Após a soneca e de banho tomado, visitei o Botanic Garden de primeira. Era um dos poucos lugares abertos em um domingo de manhã. Fui caminhando em direção ao jardim e descobrindo aquela cidade única. O jardim é um dos lugares mais bonitos que já vi na vida. Cada planta, flor ou folha tem uma plaquinha explicando a origem. É divino e imenso.

Botanic Garden
Botanic Garden

Visitei quase todos os museus gratuitos da cidade (se não todos). Fui ao The People’s Story Museum,  The Writer’s Museum (o meu favorito! Silencioso e descobri escritores novos!), Museum of Childhood (encantador!), Museum of Edinburgh, a Scotish National Gallery (!) e ao National Museum of Scotland (imenso! Perfeito para um dia chuvoso, como foi o dia que visitei). 

The People's Museum
The People’s Museum

Todos os museus citados são gratuitos. E ocuparam dois dos meus dias na cidade. Quando ouço que viajar para Europa é coisa de rico, eu sorrio e, em silêncio, relembro de quanto dinheiro tinha no bolso e dos variados programas gratuitos. Europe, I totally love you, man!

Kilt – “a saia escocesa”

A busker wearing a kilt
A busker wearing a kilt

Edimburgo é tão encantadora que os famosos “homens de saia” dão um tom ainda mais charmoso para a capital. Na verdade, a “saia” chama-se “kilt”. Atualmente, ele é usado por funcionários de lojas de souvenirs, artistas de rua ou em festa típicas.

Calton Hill and Arthur’s Seat

<3

Eu amo ver uma cidade do alto. Não sei a origem dessa paixão. Talvez venha de uma das minhas teorias sobre as cidades. Elas, geralmente, nos fazem sentir pequenos em meio a tantos prédios. Quando subo em um monte qualquer, e posso ter noção da cidade que estou, é uma sensação quase mágica – não gosto dessa palavra, mas ela cabe aqui. Ver tudo pequeninho e tentar imaginar o que se passa em cada parte são reflexões tão boas. Parece que relembro quem sou: pequena diante de um universo imenso com uma história ordinária em meio a tantas outras comuns e até mesmo extraordinárias. Em toda cidade, eu busquei (ainda busco) um ponto alto e fui até lá apreciá-la.

Arthur's Sear
Arthur’s Sear

O Arthur’s seat é um encanto só. Já tinha visto em um filme essa colina, que tem uma elevação de origem vulcânica. O filme, de mesmo nome, é baseado no livro “Um Dia”, do David Nicholls. Mas assistir a um filme, achar um lugar bonito e pensar “vou conhecer um dia”, parece distante da realização. E não deveria. Pra reforçar, “vou conhecer um dia” faz parte das minhas frases mais acreditáveis da atualidade. 

Eu saí caminhando pela cidade e avistei a colina. Comprei um sorvete no início da caminhada e comecei a subir. Subi, subi e parei. Tirei fotos. Admirei a paisagem. Mais fotos. Respirei fundo e senti aquele vento gostoso. Bebi água. Admirei, porque era só o que eu conseguia fazer. Que cidade encantadora do alto! Não subi até o topo, porque os meus pés não

ice cream - a 'kinda of happiness
ice cream – a ‘kinda of happiness

aguentavam mais. Era meu primeiro dia na cidade, eu tinha mais dois dias e queria conseguir levantar da cama na manhã seguinte (ordem cronológica dos fatos: não trabalhamos). Se deixar, eu saio caminhando e não paro mais (por isso a soneca lá do início …). Preciso me controlar. Sem contar a dose noturna de Dorflex pra relaxar e aproveitar mais. Viajar é cansativo sim. Mas, por esse tipo de cansaço, conhecendo lugares novos, eu viajaria todo fim de semana.

O Calton Hill foi o desafio do último dia. No caminho, visitei um cemitério (?!). Calmo e silencioso. Nunca visitei por livre e espontânea vontade um cemitério no Brasil, porém, em Edimburgo, tudo é tão bonito, que vale até o cemitério. Juro. Subi o Calton Hill naquela manhã. Vista maravilhosa, monumentos nacionais escocês e britânicos grandiosos que compõem a colina. Quando cheguei ao topo, pude perceber o quanto aquela cidade tinha me conquistado e se tornaria a minha favorita, mesmo ainda não tendo conhecido Londres

Calton Hill's view from Arthur's Seat
Calton Hill’s view from Arthur’s Seat

Não dá pra descrever esses sentimentos. É uma mistura de conquista daquilo que nunca sonhou, no entanto, parece que sempre fez parte dos sonhos. Gratidão seria uma boa palavra pra definir.

Calton Hill
Calton Hill

Perto dos monumentos tem um pequeno museu gratuito. A exposição que fui era sobre música, não lembro se era um tema fixo. Também tem uma torre que é permitida a entrada e dá pra ver a cidade ainda menor. Porém, era pago e aquela vista que eu tinha já bastava.

The End of the journey

Eu não sei se algum dia volto em Edimburgo ou em alguma cidade da Escócia. Sorte a minha se voltar! Não é pessimismo, mas é que existe tantas cidades no mundo pra conhecer, que só se uma grande força me levar de volta. Foram três intensos dias de muito encantamento e a certeza que esse mundo é muito grande pra ficar só de um lado dele. Quando voltei, a pergunta era sempre a mesma: qual cidade você mais gostou?! Eu sinceramente não sabia naquele momento. Foram tantos sentimentos diferentes, que era impossível classificar uma. Mas com o tempo, assimilando tudo que tinha vivido, eu classifiquei a capital escocesa como a minha favorita. Acho que um lugar torna-se favorito não só pela beleza, mas pelas pessoas e o seu estado de espírito no momento do primeiro encontro.

Tenho três miniaturas de globos terrestres na mesinha do meu quarto para lembrar, diariamente, que existem lugares e pessoas em outras partes do mundo que podem substituir Edimburgo. O desejo é que a vida me leve para novas aventuras e lugares surpreendentes em breve. “Relembrar é viver”, alguém disse muito bem.

<3

Edinburgh, you always will be my first favourite!

The Writer's Museum
The Writer’s Museum

“For my part, I travel not to go anywhere, but to go. I travel for travel’s sake. The great affair is to move, to feel the needs and hitches of our life more nearly, to come down off this feather-bed of civilisation, and find the globe granite underfoot and strewn with cutting flints”. Robert Louis Stevenson, scottish writer.

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