sementes de Amsterdam, flor lá de casa

Eu trouxe pra ela umas sementes de flores lá de Amsterdam. Escolhi o pacotinho pela imagem meramente ilustrativa do rótulo. Eram as flores mais bonitas daquela banca de souvenirs, na minha visão leiga. Me lembro que até a escolha perfeita demorei bastante. Eu tinha tempo. Estava nublado, chovendo, ventando e eu já um pouco cansada. Era meu terceiro país visitado naquela semana incrível de 2014. E apesar de ter sido criada em um lar onde plantas são tratadas como filhas(os), de alguma forma, a paixão por elas nunca conseguiu me envolver durante os anos. Talvez a minha ignorância pelo assunto também nunca ajudou. Dizem por aí que não gostamos muito daquilo que não entendemos. Já até tentei cultivar plantas. Ganhei um cacto, “que não precisa de tantos cuidados”, como ela disse, quando me obrigou a levar pra casa. Ele morreu, mesmo sendo um cacto.

Com a minha indecisão e ignorância no assunto, a única certeza que eu tinha naquele momento era que, pra ela, precisava ser flores a lembrancinha do mochilão. E tinha que ser um embrulho pequeno pra caber na mala. Ela me mandou ir na plantação de tulipas, mesmo eu tendo explicado mais de uma vez que era verão e os campos não estava mais repletos de tulipas como na primavera. Mesmo assim, ela queria que eu fosse lá. Ela diz que a responsabilidade por repetir mais de uma vez uma mesma história, um caso ou um conselho é a idade. Eu diria que é a função dela na vida, não a quantidade de estações que ela viveu. Passado alguns longos minutos, eu decidi. Depois de colocar e recolocar na prateleira os pacotinhos de sementes, optei pelas mais coloridas. Pra depois, quando brotassem, eu não me arrependesse que as flores brancas poderiam ser mais lindas que as amarelas. Comprei o pacotinho que tinha todas as cores. Ela amou! Guardou tão bem guardado o presente, que ficou desesperada procurando o pacote quando eu questionei onde ele estava.

Eram sementes. Não tínhamos certeza se iria brotar. Tinham atravessado um oceano em uma mala lotada de compras, roupas e memórias. Mas, por serem sementes, ela plantou. Com cuidado e dedicação, além da crença que brotariam (talvez a atitude mais importante no processo). Espalhou sementes pelos vasos da varanda. Amarrou linhas pra que elas tivessem a liberdade de se expandirem e brotarem. E deu flor. Muitas flores por sinal. A primeira, ela me gritou quando abriu e quando fechou. A segunda, também. Nasceram tantas que não tínhamos mais tempo de ver uma a uma abrir e fechar. Concordamos que eram lindas, mas morriam rápido. Porém, nas poucas horas que estavam abertas, eram lindas. Muito lindas.

Dessas flores, tiramos mais sementes. Juntas. Tentando entender porque algumas eram maiores que as outras e nos perguntando se iriam dar mais flores. Ela as separou em um pacote de plástico, cortou o rótulo das sementes holandesas, que eu havia escolhido, colou como um lembrete da origem e as guardou. O processo, que me encantou, já é rotineiro pra ela. Vou me lembrar de perguntar sobre sua paixão por plantas em algum outro dia enquanto estivermos sentadas contando casos passados que me fazem entender melhor o presente. As plantas alegram e dão vida a uma casa, como ela costuma dizer. Já ela, alegra e dá vida a minha (nossa) existência.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s